Se você fecha o mês com o salão cheio e mesmo assim sobra pouco na conta, o problema quase sempre está em um número que muita gente ignora: o CMV do restaurante. Ele é o indicador que mostra, na prática, quanto cada prato custou de verdade e é o primeiro lugar onde o lucro escorre pelo ralo sem ninguém perceber.
Neste guia você vai entender o que é CMV, como calcular passo a passo, qual o percentual considerado saudável para o seu tipo de negócio e o que fazer quando o número vier maior do que deveria.

O que é CMV e por que ele decide se o restaurante dá lucro
CMV significa Custo da Mercadoria Vendida. É o quanto você gastou com os ingredientes e insumos usados para produzir tudo o que foi vendido em um determinado período geralmente calculado por mês.
Repare que o CMV não é o preço do cardápio, nem o quanto você gasta comprando de fornecedores no geral. Ele é o custo direto do que efetivamente saiu da cozinha e virou venda. É esse número que mostra se o preço que você cobra no prato realmente cobre o que ele custou pra ser feito.
Fórmula do CMV: passo a passo para calcular
A fórmula clássica do CMV é:
CMV = Estoque Inicial + Compras do período − Estoque Final
Na prática, funciona assim:
- Estoque inicial: quanto valia (em R$) o estoque de insumos no primeiro dia do mês.
- Compras do período: tudo o que você comprou de fornecedores durante o mês.
- Estoque final: quanto sobrou de insumos no último dia do mês.
Depois de achar o CMV em reais, transforme em percentual para conseguir comparar com o mercado:
% CMV = (CMV ÷ Faturamento do período) × 100
Exemplo prático: se seu restaurante teve R$ 10.000 de estoque inicial, comprou mais R$ 30.000 em insumos e fechou o mês com R$ 8.000 em estoque, o CMV foi de R$ 32.000. Se o faturamento do período foi R$ 100.000, o CMV representou 32% do faturamento.
Qual o CMV ideal para o seu tipo de restaurante
Não existe um número mágico único o CMV saudável varia bastante conforme o segmento:
| Tipo de negócio | CMV ideal (referência de mercado) |
|---|---|
| Restaurante à la carte | 28% a 32% |
| Self-service / buffet por quilo | 32% a 38% |
| Pizzaria | 28% a 33% |
| Hamburgueria | 30% a 35% |
| Bar | 22% a 28% |
| Cafeteria | 25% a 30% |
Se o seu número está acima da faixa do seu segmento, não significa necessariamente que o preço está errado pode ser desperdício, porcionamento fora do padrão ou furto. É aí que entra a próxima parte.
Erros comuns que inflam o CMV sem você perceber
- Ficha técnica desatualizada: o preço do prato foi calculado há meses e os insumos subiram, mas o cardápio não acompanhou.
- Porcionamento fora do padrão: cada cozinheiro serve “no olho”, e a quantidade real sai maior do que a ficha técnica prevê.
- Desperdício na pré-preparação: aparas, validade vencida, erro de armazenamento.
- Cortesias e erros de pedido não contabilizados: pratos refeitos ou oferecidos de graça continuam custando insumo, mas não geram receita.
- Contagem de estoque manual e imprecisa: sem um controle confiável, o estoque inicial e final usados na conta já nascem errados.

Como reduzir o CMV do restaurante na prática
- Tenha ficha técnica para cada prato, com peso exato de cada ingrediente e custo atualizado sempre que o fornecedor reajustar o preço.
- Padronize o porcionamento na cozinha balança e medidas fixas, não “a olho”.
- Faça inventário de estoque com frequência (semanal, se possível) em vez de só no fechamento do mês.
- Negocie com fornecedores com base em volume e frequência de compra, não só no menor preço isolado.
- Acompanhe o CMV por prato, não só o geral alguns itens do cardápio dão prejuízo e “escondem” atrás dos que dão lucro.
Como um sistema de gestão ajuda a controlar o CMV em tempo real
Calcular o CMV manualmente uma vez por mês, numa planilha, tem um problema: você só descobre o estrago depois que ele já aconteceu. Um sistema de gestão para restaurante como a Digi Office conecta a ficha técnica de cada prato ao estoque e às vendas do PDV automaticamente assim, cada vez que um prato é vendido, o sistema já dá baixa nos insumos exatos que ele consome, e o CMV real fica visível em tempo real, não só no fechamento do mês.
Isso vale tanto para quem tem um restaurante pequeno quanto para operações maiores com várias unidades a Digi Office não é um ERP genérico, é uma plataforma pensada especificamente para a rotina de quem trabalha com food service, com onboarding humanizado e sem custo adicional para ajudar sua equipe a colocar tudo isso em prática.
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Perguntas frequentes sobre CMV no restaurante
CMV alto é sempre ruim?
Não necessariamente depende do seu posicionamento de preço e segmento. O problema é quando o CMV está alto e a margem não sobra o suficiente para cobrir custo fixo e ainda dar lucro.
Com que frequência devo calcular o CMV?
O ideal é mensal para acompanhamento oficial, mas restaurantes com bom controle de estoque calculam semanalmente para identificar problemas mais rápido.
CMV e ticket médio estão relacionados?
Sim aumentar o ticket médio sem controlar o CMV pode dar a falsa sensação de que o restaurante está mais lucrativo, quando na verdade só está faturando mais.